BURMA (Myanmar)| o básico

By pamellagachido
da série Ásia

Se pudesse escolher voltar para apenas um lugar, voltaria para lá, agora.

flisherman with kid in inle lake mynamar burma

Por ser um destino que abriu oficialmente as fronteiras apenas há alguns anos, minha pesquisa foi bem difícil.
Mas aqui te explico tudo que é preciso saber sobre o país que mais me encantou.

Myanmar, também chamado de Burma pelos que não reconhecem o atual governo, é um país ainda pouco explorado como destino turístico. Vivendo num regime ditatorial desde 1962 (considerado em transição desde 2011), suas fronteiras foram abertas ao turismo apenas em 2013.
Não vou entrar nas questões políticas que afligem o país, mas se você tem em mente Burma como seu destino deveria estudar um pouquinho da história e do atual governo. Apesar de não reconhecer o governo atual, uso o nome Myanmar por ser o reconhecido no Brasil.

Por conta desse isolamento, é o país mais autentico que passei, carregando fortemente suas culturas e tradições pela população composta por mais de 100 diferentes grupos étnicos, de maioria budista.

As influencias estrangeiras são mínimas, apesar disso estar mudando bem rápido. Burma é um país em (re)construção, e isso é facilmente percebido quando em Yangon (Rangoon, como era chamada antes do ditador), ao notar o contraste entre os antigos prédios e as novas gigantes construções de investidores asiáticos – muitas vezes destruindo pedaços históricos de reinos que datam do século XII.

Achei um pouco difícil achar informações atualizadas durante as minhas pesquisa. O guia do Lonely Planet por exemplo está extremamente desatualizado e são poucas as informações da internet, principalmente as voltadas para uma viagem low-budge.

Se você tem tempo, fique mais de mês e explore todas as opções, a hora de conhecer o país é agora.

Como são muitos detalhes (e paixões) nesse post dou um panorama principal do país, mas deixo um post específico de cada destino que visitei: Yangon, Bagan e Inle Lake.

Então vamos ao básico.

RESUMO

CUSTO MÉDIO US$40 dia
DATA DA VIAGEM 
março 2016
DIAS NO PAÍS 16 dias
IN E OUT voo Bangkok – Yangon – Bangkok (AirAsia)
CIDADES VISITADAS Yangoon, Bagan e Inle Lake
TIPO DE ACOMODAÇÃO albergue e hotel
ONDE PROCURAR ACOMODAÇÃO Agoda.com e a pé, old school
COMO VIAJAR chegar de avião, viajar pelo país de ônibus

PRINCIPAIS DESTINOS

Burma tem inúmeras opções:
de sítios históricos à praias paradisíacas.

temple pagoda bagan burma myanmar

Os destinos mais visitados são Yangon, Bagan, Mandalay, Inle Lake e Ngapali Beach, considerada uma das mais belas do mundo.

burma myanmar Shwedagon Pagoda pamella_gachido meu_passaporte
Shwedagon Pagoda em Yangon

Saindo um pouco da rota principal, temos os destinos que devem ser tão encantadores quanto: Mrauk-U, Kalaw, Mawlamyine, Pindaya, Kyaing Tong, entre outros.

 

VISTO

O jeito mais prático e rápido de conseguir o visto é aplicando para o eVISA. Além de ser o único jeito se você não tem acesso a embaixada Birmanesa.

eVISA

A estadia com o eVisa é permitida apenas por 28 dias, para um única entrada no país, que deve ser feita apenas pelos aeroportos internacionais.
É possível aplicar para uma extensão do visto, quando já em Burma.
Se a intenção é entrar por terra pela Tailândia, você precisará consultar o consulado. Aqui tem uma lista das embaixadas, no Brasil fica em Brasília
Para aplicar para o eVisa, você deve deve entrar nesse site:
http://evisa.moip.gov.mm/NoticetoTourists.aspx

O custo do eVisa é de US$50, pago com cartão de crédito no site indicado, após do preenchimento do formulário.

Para dar entrada é preciso:

  • passaporte válido
  • upload de foto digital, no estilo passaporte
  • pagamento da taxa de US$50

Após preenchimento do formulário você recebe um email confirmando o pagamento em até 1 hora.
De 24 a 72 horas você recebe o seu eVisa approval latter, uma carta digital aprovando o visto que deve ser apresentada IMPRESSA no aeroporto, para conseguir o visto propriamente dito. Essa carta é válida por 90 dias, ou seja, você só deve dar entrada no processo com no máximo 3 meses de antecedência a viagem.
No formulário é pedido o endereço do seu hotel, dizendo que a carta será enviada para eles. A minha não foi, e acho que isso não é feito, recebi apenas a versão digital. Mas sem o endereço, acho que não é possível dar entrada no processo. Não se apegue a isso, coloque o endereço de algum hotel que pretende ficar.

 

ENTRADA E SAÍDA

PRINCIPAIS PORTOS
Os principais pontos de entrada no país são pelos aeroportos internacionais: Yangon (geralmente com passagens mais baratas), MandalayNaypyitaw. E como disse ali em cima, os únicos portos de entrada para quem está com o eVisa.

FRONTEIRAS TERRESTRES
Atualmente não há fronteiras de entrada entre Myanmar e Laos, não é permitido para estrangeiros cruzar por Bangladesh.
Para entrar no país pela China ou pela Índia é preciso permissões especiais.

É possível entrar no país por alguns pontos da Tailândia, para mais informações, entre aqui.

 

DINHEIRO

Se você for muito pelo Lonely Planet, e vários blogs, vai dar uma surtada – a toa.
Por muito tempo, a principal moeda utilizada por turistas era o Dólar.
Não havia muitos ATM’s (caixas eletrônicos) disponíveis e poucos são os estabelecimentos que aceitavam cartões de crédito.

Como eu já disse, Burma está mudando rápido!

Foi-se o tempo em deveríamos nos preocupar em nos abastecer de dólares em cash: emitidos recentemente (notas emitidas antes de 2009 não são aceitas), absolutamente lisos e sem dobras, rasuras, manchas ou falhas. Qualquer uma dessas, faria com que a nota não fosse aceita.
Eu me peguei trocando notas com um americano no aeroporto de Bangkok que tinha umas notas mais novinhas que eu – isso não é preciso, mas só descobri isso lá.
A preocupação com a integridade da nota continua, apesar de estarem bem mais relaxados. Eles até aceitam as notas dobradas, talvez te cobrem um pouco mais por isso.

Eu não utilizei dolares durante minha estadia, tudo foi pago em Kyat, moeda local.

Muitos comerciantes locais preferem o pagamento em Kyat, fazendo uma conversão mais interessante. Por exemplo, a diária do meu hotel no Inle Lake era US$15 ou K15.000, o que torna mais barato (U$12,3).

Hoje ATM’s são facilmente encontrados nos principais destinos.
Você pode sacar Kyats até em meio as pagodas de Bagan, literalmente. Cartões de créditos são aceitos, mas somente em grandes redes de hotéis ou restaurantes mais modernosos, tenha sempre dinheiro.

 

HOSPEDAGEM

Esteja preparado para pagar mais do que o usual na Ásia – e receber menos.

Por conta da crescente demanda e menor oferta, hospedagem no país é cara. Mas nada que não possa ser contornado procurando localmente, como mamãe diria, batendo perna.

Digo isso pois não são muitos os lugares listados na internet, principalmente melhores sites como o Agoda ou TripAdvisor – talvez pelo recente e limitado acesso a internet. Os poucos que estão lá (e com boas reviews) na maioria das vezes, exploram nosso bolso.

Minha dica é bookar somente a primeira noite pela internet e procurar opções chegando na cidade. Te garanto que achará ofertas melhores buscando do jeito antigo, batendo perna.

Eu, pão dura/prodution que só, deixo algumas dicas para você sobre cada destinos nos posts relacionados.

 

VIAJANDO PELO PAÍS

Basicamente, para viajar pelo país temos as opções de ônibus, trem, avião e barco.

Pescadores no Inle Lake
Pescadores no Inle Lake

ÔNIBUS
É o principal meio utilizado, já que as opções aéreas ainda são um pouco limitadas (e caras), apesar de estarem melhorando.

A maioria dos hotéis, hostels e guest houses oferecem o serviço de agendamento de passagem por uma pequena comissão, além das inúmeras companhias de turismo que podem ser encontradas pelas cidades, que variam de pequenas barracas na rua à espaços mais modernos – os valores podem variar tanto quanto.
Se estiver preso a um orçamento, pesquise. 

As estradas não são das melhores, mas os ônibus podem ser bem confortáveis.

As principais empresas são a JJ Express e Bagan Min Thar.
Viajei pelas duas, e apesar da JJ ser mais reconhecida e mais fácil de reservar, recomendo a Bagan Min Thar pelo ônibus ser mais confortável. Os ônibus que peguei com a JJ não tinham banheiro, enquanto com a Bagan, sim, além das poltronas reclinarem mais.
dica: Fuja das últimas fileiras: o valor é o mesmo e não reclinam.
Recomendo a janela, do lado 1 para os ônibus VIP. Eles tem 3 assentos, dois de um lado e um do outro (chamados de 2 + 1). Viajando sozinha, sempre escolhi o 1, sem ninguém ao me lado, me sentia mais segura.

reserva
Achei bem fácil bookar diretamente com a empresa de ônibus, principalmente a JJ, que responde rapidamente as mensagens por Facebook, por onde eu fiz minha reserva e depois paguei pela passagem reservada no terminal de ônibus.

Pela Bagan achei um pouco mais complicado, já que o site e Facebook não estão em inglês. Quando viajei por eles, tive ajuda da Star Ticket, agência de turismo voltada para passagens de ônibus. Recomendo o serviço, o atendimento deles é ótimo e rápido, além de tarifas justas: sempre a opção mais barata encontrada. O pagamento deve ser feito em dinheiro ou cartão de crédito pelo site.

Tenha seus agasalhos, meias e afins com você, já que independente da estação, o ar condicionado é congelante. Acho que isso virou um marketing dos ônibus de Burma. Leve também seus tampões de ouvido: os motoristas acham normal ter o som deles ligado durante a viagem, sucesso total – só que não.
RESUMO
Yangon – Bagan
8-9 horas | K19.500 pela Bagan Min Thar
Bagan – Inle Lake 8 horas | K18.700 pela JJ Express
Inle Lake –Yangon 8 horas | US$19 pela JJ Express

AVIÃO
Aos poucos, empresas particulares têm ganho um espaço maior no país.
As do governo continuam sendo as principais e mais baratas, mas isso vem com problemas no cumprimento dos horários e falhas na segurança, como li em vários lugares.

Geralmente é mais fácil e mais barato comprar as passagens quando já se está em Burma. As principais são: Air Bagan (www.airbagan.com), Myanmar Airways International (www.maiair.com) e Mandalay Ar (www.airmandalay.com).

Lembre-se de SEMPRE confirmar tua passagem próximo a data de embarque (de 1 a 3 dias de antecedência). É algo estranho, mas extremamente necessário no país! Sem a confirmação você pode não conseguir embarcar.
Geralmente, o limite de bagagem é de 20kg.

Para maiores informações, recomendo esse site aqui.

TREM
Uma experiência, não apenas um transporte.
Os trens são extremamente lentos e raramente (para não dizer nunca) cumprem os horários. Dito isso, se quiser ver de perto a cultura local e tiver tempo e paciência, é a melhor opção transporte + vivência.

Como eu tinha pouco tempo no país, o único trem que peguei foi o local em Yangon, para a rodoviária. Se você tem a disponibilidade, acho que deve ser uma forma linda de experimentar a cultura birmanesa.

CARROS E MOTOS
É contra a lei estrangeiro alugar carro. Se você quer um meio privado de locomoção, deve contratar taxis ou motoristas particulares.

Aparentemente é possível alugar motos, mas não sei ao certo.

 

IDIOMA

O inglês é bem difundido nas regiões mais turísticas e hoje ensinado nas escolas, por isso será comum ver pequenos birmaneses falando um inglês melhor que o teu.

escola em bagan burma myanmar
Escola nos arredores de Bagan

Com os adultos e serviços em geral ainda é um pouco desafiante. Muitos entendem, mas não conseguem falar. Como o alfabeto é diferente, não adianta vir com o papelzinho. Mas a boa vontade desse povo lindo ultrapassa toda barreira e a comunicação baseada em afeto fica linda.

Como em todo país, aconselho a aprender pelo menos o básico do idioma local.
É uma questão de respeito.

 

INTERNET e TELEFONIA

Se você ficará alguns dias viajando pelo país, recomendo comprar um chip e adicionar crédito. É super barato, K1.500 (menos de U$1.50), com K3.000 é possível utilizar a internet por bastante tempo.

A empresa que tem maior cobertura em Myanmar é a MPT. Além das lojas da companhia (que pedem passaporte e foto no ato da compra), o chip pode ser adquirido em pequenos comércios sem maiores burocracias, como eu fiz.

A internet não é mais controlada pelo governo (ou não tanto), e a maioria dos hotéis e albergues disponibiliza o serviço apesar de bem lento, na maioria das vezes.

 

TURISMO SUSTENTÁVEL

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Agricultor numa das hortas flutuantes de Inle Lake

Uma das formas do turismo sustentável é o desenvolvimento da economia local. Com um governo que pouco se preocupa com a população (e tem controle de várias partes do turismo), estimular a pequenos comerciantes é importante.

Nenhuma das taxas cobradas pelo governo acaba revertidas para a população, que continua a mercê do estado explorador e ditatorial.

Se você tem essa preocupação em mente (e você deveria, né querido?), procure os hotéis e guest houses de proprietários birmaneses e que empregam locais. As taxas dos parques como no Inle Lake (U$10) e Bagan (U$20) não são revertidas em benefício do povo, não se iluda.

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Não dê esmolas às crianças e não compre os postais feitos de desenho. É difícil manter a postura, mas acredite o melhor jeito de ajudar é não estimulando a prática. Por conta do mal direcionamento da política turísticas (e geral), isso é um problema crescente no país.

Se você quer ajudar a população, tenha certeza de consumir em locais que pertencem a pequenos comerciantes e não a grandes empresas ou ao governo.

Se quiser ajudar ainda mais, procure instituições sérias e ONGs que estejam envolvidas com o desenvolvimento do país. Pode me escrever que te indico contatos.

COMIDA

Li bastante sobre como a comida birmanesa poderia deixar a desejar.

O que encontrei foi um grande banquete.

pamella_gachido meu_passaporte Inle_lake comida peixe

Sua culinária explora bastante os peixes e tem características únicas com a incorporação de aspectos das cozinhas dos países vizinhos: China, Índia e Tailândia.

Como em vários países do sudeste asiáticos, tudo acontece na rua, inclusive a comida. Em Burma não é diferente, especialmente em Yangon.

comidas e mais comidas em Yangon
comidas e mais comidas em Yangon

Muitas vezes foi difícil identificar o que era. Mas a gente sempre dá um jeito de se comunicar, ou apenas se entregar.
Nas calçadas de Yangon eu comi peixes deliciosamente assados em Chinatown – indo contra todas as indicações sanitárias da minha avó e da Anvisa.

SOBRE GORJETA
Não é esperado, apesar de ser apreciado. Nos restaurantes, valorize o serviço local, geralmente 10% da conta é o suficiente.

SEGURANÇA

Regra número 1: não puxe papo sobre política. Mais do que causar problemas para você, pode causar sérios problemas para o seu interlocutor.
Algumas regiões são restritas aos turistas.
Você vai notar que a cada passo, seja comprando passagem de ônibus ou fazendo check-in no hotel, seu passaporte será pedido e seus dados registrados.
Principalmente perto das fronteiras e mais ao norte, grupos independentes controlam a região, sendo mais difícil e inseguro o acesso. Mas não impossível e menos encantador, aposto.

De resto, acredito que Myanmar seja um dos países mais seguros para viajar na Ásia.

O cuidado com o turista é grande, e as tentativas de golpe são quase inexistentes – coisa rara na Ásia. Ao meu ver, a população tem nos turistas a esperança de dias melhores, economicamente e politicamente falando.

MULHERES SOLOS
Eu viajei absolutamente sozinha e a única coisa que encontrei foi curiosidade – e admiração – além de outras várias viajantes solitárias.
Lógico que sempre é preciso ficar esperto, tomar as precauções básicas.
Ah, como um país que vive sob tradições ainda machistas, mulheres não podem tocar a Pedra Dourada do Monte Kyaiktiyo, e não devem encostar nos monges.

Por ser um país fechado e em que culturalmente as mulheres não são independentes, a curiosidade é grande, então questionamentos devem ser considerados normais.
Mas é isso.

LGBT
Homossexualidade, apesar de ilegal no país, tem crescido bastante. Então, não se deve encontrar maiores problemas se respeitar a discrição local, que deve ser tomada por casais heterossexuais também.
Os Birmaneses são muito carinhosos, e é super comum ver homens andando abraçados, por exemplo. Muito mesmo, mais que no Brasil. É só ter respeito (à cultura) em mente.

OUTRAS INFORMAÇÕES

CAPITAL Naypyidaw
AEROPORTOS INTERNACIONAIS Yangon, Mandalay e Naypyitaw
FISO HORÁRIO UTC +6
MOEDA Kyats (pronuncia-se TChatz)
QUANDO IR
Novembro a Fevereiro: alta temporada
Março a Maio: baixa temporada, muito quente.
Maio a Outubro: temporada de chuva, o que faz ficar bem vazio e barato.
EXIGÊNCIAS DE VISTO Brasileiros precisam de visto para entrar em Myanmar. Pode ser retirado pela internet (e-visa) ou nos consullados do país.
CÓDIGO DE ÁREA + 95
IDIOMA birmaneses
RELIGIÃO maioria budista
POLÍTICA regime militar
ETIQUETA nunca encoste ou aponte os pés para outra pessoa. Pés são considerados impuros.
Dinheiro deve ser dado e recebido com a mão direta, com a mão esquerda apoiando embaixo.

Para sabe mais sobre cada destino, click aqui.

 


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